19/08/2025 18h47 · Atualizado há 1 ano

A Polícia Civil concluiu o inquérito policial que investigou ataques contra o padre Joel Savio, reitor do Santuário de Caravaggio, em Nova Veneza. Os detalhes foram apresentados durante coletiva na tarde desta terça-feira, dia 19, na Cúria Diocesana de Criciúma. 

Uma mulher de 43 anos foi indiciada pelos crimes de stalking (perseguição), injúria e difamação. As investigações apontaram que ela divulgou vídeos e prints manipulados que indicavam encontros íntimos e amorosos com o padre, além de acusar o sacerdote de utilizar recursos da igreja para uso pessoal com fins sexuais. 

“Ela pegava conversas manipuladas e colocava em perfis onde aparecia o nome a imagem do padre para tentar passar credibilidade. Eram conteúdos de cunho sexual. Isso é uma forma de descredibilizar o padre”, explicou o delegado Márcio Campos Neves, que coordenou as investigações.

Delegado Márcio Campos Neves, responsável pelas investigações – Foto: Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

No dia 1ª de agosto deste ano, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa da investigada, em Imbituba. Durante a ação foram apreendidos três celulares.

“Ela vinha praticando uma série de atos. Pelo que analisamos um nas provas técnicas, essas ofensas se estendiam desde julho de 2024 e só cessaram quando cumprimos a busca e apreensão. Eram três aparelhos celulares de última geração para criar e divulgar os materiais, inclusive envolvendo outros padres para descredibilizar a vítima na própria igreja”, acrescentou o delegado. 


A mulher prestou depoimento e confirmou que criava as narrativas. Uma das motivações seria tentativa da investigada de se envolver amorosamente com o padre.

“Tem a questão da recusa do padre de se envolver em um relacionamento e tem outros assuntos internos, que não compete a Polícia Civil e, sim, a Igreja Católica a dar os encaminhamentos. O nosso trabalho foi encerrado e encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina”, completou Neves. 


Acordo e pagamento de indenização
 

As penas para os crimes podem ser triplicada por serem praticados no ambiente virtual. Porém, com a anuência do padre Joel Sávio, a Diocese de Criciúma firmou um acordo com a investigada onde ela se comprometeu a realizar a confissão formal e o pagamento de indenização ao sacerdote. 

O valor foi estipulado em R$ 40 mil, que já foi pago e será destinado integralmente para a compra de um carro para a Casa do Egresso. A instituição é administrada pela Diocese de Criciúma e acolhe pessoas que deixaram o sistema prisional para reintegrá-las na sociedade. 

“A igreja não se precipita. Nós queremos achar a verdade. A sociedade é regida pelo direito civil. E a igreja é regida pelo direito canônico. Então precisamos progredir nos dois campos. Nós sempre tomamos previdências desses casos e chegamos ao fim deste triste episódio [do padre Joel]. E esperamos que não aconteça mai. Se acontecer, tomaremos novamente as providências”, garantiu o bispo Dom Jacinto Inácio Flach.

Durante dois anos o processo ficará suspenso e, se cumprido integralmente, será extinto. 

Dom Jacinto Inácio Flach, bispo da Diocese de Criciúma - Foto: Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

Ainda no acordo, ficou estabelecido que a mulher fica proibida de estabelecer contato com padres ou participar de missas e eventos da Diocese de Criciúma, mencionar o nome, imagem ou voz do e difamar ou divulgar imagens a respeito do reitor do Santuário de Caravaggio. A multa estipulada para cada ato descumprido será de aproximadamente R$ 30 mil.

Fora da esfera criminal, a acusada, a Diocese de Criciúma e o bispo e sacerdotes também firmaram um acordo extrajudicial, que prevê a renúncia de indenização por danos morais pelo prazo mínimo de dez anos. 

Acordo foi a melhor opção, avalia advogado

Jefferson Monteiro, advogado que representou o padre e a Diocese de Criciúma no caso, avaliou que o acordo entre as partes foi a melhor alternativa para cessar os ataques. Os detalhes foram tratados com familiares da investigada, que propuseram os valores das multas e as cláusulas. 

“São crimes de menor potencial ofensivo que estão sujeitos a uma prescrição. A gente avaliou tudo isso. Ela poderia arrastar este processo por anos e só geraria mais desgaste para a diocese e para o padre. As cláusulas são bem rigorosas com penas de 20 salários-mínimos por descumprimento. A família não sabia dessa situação e nem tem responsabilidade sobre os atos dela. E a gente acredita que ela não vai mais cometer este tipo crime”, enfatizou. 


Outras duas pessoas que replicavam os conteúdos foram citadas no inquérito policial. O caso está sob análise do Ministério Público de Santa Catarina para avaliação da denúncia. O acordo também precisa ser homologado pela Justiça para entrar em vigor. 

Jefferson Monteiro, advogado de defesa do padre Joel Sávio e da Diocese de Criciúma - Foto: Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

Colaboração: engeplus

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