Um líder religioso está sendo acusado de supostamente estuprar ao menos nove fiéis em um terreiro de religião de matriz africana em Içara. Os abusos, que ocorreriam sob o pretexto de rituais e orientações espirituais, levaram ao menos duas vítimas, incluindo uma adolescente de 16 anos à época dos fatos, a registrar boletins de ocorrência.
O caso veio à tona nessa sexta-feira (11) e ganhou repercussão após ser exposto no perfil de uma das religiosas ligadas ao grupo. De acordo com os registros policiais, as abordagens ocorriam nas dependências do templo, localizado no bairro Tereza Cristina. Em um dos relatos, M. O. A., de 31 anos, informou que frequentava o local desde maio de 2023.
Após cerca de três meses, ela teria sido levada para um cômodo reservado, onde o homem trancou a porta, apagou as luzes e praticou atos de cunho sexual sem seu consentimento enquanto cantava pontos religiosos. A vítima relatou também ter sido induzida, sob justificativa espiritual, a ir a um motel acompanhada de outra mulher (E.), onde ambas teriam sido forçadas a manter relações sexuais sob manipulação e pressão psicológica.
Em outro depoimento, I. M. A., de 16 anos à época do ocorrido, declarou que, em abril de 2024, ficou a sós com o investigado no terreiro após ele solicitar a saída dos demais presentes. O homem teria trancado o local e alegado estar incorporado pela entidade “Marabô” para tocar a jovem e tentar beijá-la.
Ao ser questionado sobre a conduta, o líder religioso teria afirmado que “não existia certo ou errado” e que a responsabilidade pelos atos seria da entidade espiritual. Além dos abusos sexuais, os boletins de ocorrência detalham que o suspeito exerceria forte controle e manipulação psicológica sobre as vítimas, além de realizar pedidos frequentes de dinheiro sob a alegação de empréstimos que não eram restituídos.
A adolescente relatou ainda que o homem tentava convencê-la a fugir com ele para o Estado do Rio de Janeiro.







