O ator Chuck Norris morreu na manhã de ontem (19.mar), aos 86 anos, no Havaí, conforme comunicado divulgado por familiares. A morte foi descrita como repentina, após o artista ter sido hospitalizado ao longo da semana em razão de uma “emergência médica”, cuja natureza não foi informada.
“É com profunda tristeza que nossa família comunica o falecimento repentino do nosso amado Chuck Norris ontem de manhã. Embora desejemos manter as circunstâncias em sigilo, saibam que ele estava cercado por sua família e em paz”, diz a nota.
Reconhecido mundialmente por sua trajetória no cinema e nas artes marciais, Norris deixa um legado marcado pela imagem de força e disciplina. Em âmbito familiar, no entanto, foi lembrado como “um marido devoto, um pai e avô carinhoso, um irmão incrível e o coração da nossa família”, segundo os parentes.
Além de ator, Chuck Norris era um artista marcial. Ele foi campeão em diversas artes marciais. Norris era faixa preta em seis artes marciais: judô, jiu-jitsu brasileiro (3º grau), karatê (5º grau), taekwondo (8º grau), tang soo do (9º grau) e chun kuk do (10º grau).
Nos anos 2000, virou meme nas redes sociais. Brincando com sua fama de viril e imbatível, as imagens o associam a feitos absurdos, como “uma vez Chuck Norris levou uma facada no olho e a faca ficou cega” ou “Chuck Norris jogou uma granada e matou 50 pessoas… Depois a granada explodiu”. Em seu site, o ator disse que não se importava com os memes e seu favorito dizia que tentaram esculpir seu rosto no Monte Rushmore, mas o granito não era duro o suficiente para sua barba.
A vida de “Chuck” Norris
Carlos Ray Norris nasceu em 10 de março de 1940. Filho de um soldado americano da Segunda Guerra Mundial, se alistou para a Força Aérea aos 18 anos. Durante o serviço militar na Coreia do Sul, ganhou o apelido de “Chuck” e começou a praticar artes marciais: a primeira foi tang soo do, na qual se tornou faixa preta de 9º grau.
Norris foi um dos maiores atores do cinema de ação dos anos 70 e 80. O ator estrelou produções como “O Voo do Dragão” (1972), “Os Bons Se Vestem de Negro” (1978), “McQuade, o Lobo Solitário” (1983), “Braddock: O Super Comando” (1984) e “Comando Delta” (1986).
Ele fez sua estreia no filme “Arma Secreta Contra Matt Helm” (1968). Foi uma aparição rápida e não creditada — seu personagem é descrito apenas como “homem na casa dos sete prazeres”.
Ele ficou conhecido por sua atuação séria e com falas enxutas. Esse padrão difere de outras estrelas de cinema de ação, como Jackie Chan e Bruce Willis, que em seus papéis equilibram as artes marciais com humor.
Apesar do sucesso com o público, Chuck Norris demorou a conquistar a crítica especializada. Ele foi descrito pelo New York Times como “tão emotivo quanto uma estátua” e pela revista Time como “um vazio sem expressão”. Após sua morte, no entanto, o New York Times escreveu: “Sr. Norris foi um herói de ação no mesmo nível de Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Charles Bronson com os trejeitos monossilábicos de um jovem Clint Eastwood. Ele atraía milhões que gostavam de ver os Estados Unidos vencendo — para variar, alguns acrescentariam —, seja resgatando soldados no Vietnã, salvando o país de terroristas em ‘Invasão USA’ ou derrotando sequestradores e traficantes na franquia ‘Delta Force'”.
Nos anos 1990, ele migrou para a televisão. Em 1993 foi lançada a série “Walker, Texas Ranger”, que ficou no ar até 2001 e consolidou sua presença nesse meio. Em 2005, foi lançado direto em DVD “O Cortador”, o último filme que ele protagonizou.
Chuck Norris publicou mais de 20 livros ao longo de sua carreira. As obras falavam sobre artes marciais, filosofia, política e sobre a própria carreira do ator. Em um deles, explicou o seu sucesso: “Muitas pessoas querem e precisam de alguém com quem podem se identificar, um homem que seja autoconfiante, que se levante sozinho e não tenha medo de enfrentar desafios”.




