09/10/2025 12h23 · Atualizado há 11 meses

Eder Luiz Brol, pai do garoto de 13 anos, que morreu atropelado por um carro no dia 30 de setembro, em Treviso, segue pedindo por Justiça. O motorista passou por audiência de custódia no dia seguinte ao acidente, sendo liberado do Presídio Regional de Criciúma após um habeas corpus no dia 1° de outubro. 

Para Brol, a atitude do condutor do veículo foi covarde e irresponsável.

“Seria um acidente se meu filho estivesse descuidado, mas aquilo não foi acidente, foi um ato covarde e de irresponsabilidade tremenda. Estou aguardando a conclusão dos inquéritos, confio muito na Polícia Civil e no Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Penso que lá dentro tem pais e mães com coração e conseguem raciocinar o que de fato aconteceu”, afirmou ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.

Brol relatou que seu filho realizava o mesmo trajeto há três anos.

“Eu estava a 50 metros do ponto onde Eder desembarcou do ônibus. Ele veio na minha direção pelo acostamento e o carro foi se aproximando dele aos poucos. Quando percebi o perigo comecei a gesticular, meu filho não entendeu e continuou caminhando. Ele atropelou Eder e o arrastou por aproximadamente 40 metros”, detalhou.

Após a colisão, Brol encontrou seu filho já sem vida.

“Corri desesperado acreditando que ele estaria machucado. Quando me ajoelhei na frente dele, ele estava com a cabeça arrancada do pescoço. É uma cena que não quero ver nunca mais, eu não conseguia nem raciocinar. Vi muitos policiais com lágrimas nos olhos, pois foi algo muito forte”, destacou o pai.

O motorista saiu do veículo após a colisão, mas acabou fugindo do local. “O rapaz desceu do carro com o celular na mão e eu falei: ‘Você matou meu filho’. Nesse momento, o cara saiu correndo e fugiu pista afora”, frisou. 

Mesmo com o motorista em liberdade, Brol acredita que a Justiça será feita.

“O cara podia andar com o celular na mão, mas não dirigindo o carro de uma empresa em alta velocidade. Isso é irresponsabilidade.Acredito que o cidadão pode estar livre, mas vai para a cadeia e tenho essa confiança plena, porque a justiça ainda existe no Brasil”, finalizou. 

Sobre a investigação 

Conforme o delegado Márcio Campos Neves, responsável pelas investigações, o caso está sendo tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

“Lamentamos a morte. É uma tragédia. E, criminalmente falando, foi um homicídio teoricamente culposo. Não tem uma consequência penal muito grave. A pena prevista é de dois a quatro anos e, se for condenado, cumprirá provavelmente a pena em regime aberto”, disse o delegado.

O inquérito policial tentará elucidar os detalhes do atropelamento. No boletim de ocorrência, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) registrou que testemunhas relataram que o condutor do veículo dirigia o carro da empresa onde trabalhava e usava o celular no momento do acidente.

“Ele alegou que fugiu do local por ficar com receio de agressão. Vamos apurar todas as informações. Saber se ele tem alguma pessoa que confirma que ele estava ao celular, qual era a velocidade do veículo”, destacou Neves.

O motorista se entregou após ligar para o patrão. Ele realizou o teste do bafômetro e o resultado apontou negativo para a ingestão de bebida alcoólica.

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