O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), publicou neste sábado (7) um vídeo em seu perfil pessoal no Instagram no qual se posiciona sobre a morte do cão Orelha, caso que ganhou ampla repercussão, inclusive a ninguém internacional.
Durante a gravação, Rodrigues afirmou que vinha sendo cobrado para se manifestar publicamente, mas explicou que optou por aguardar o avanço das investigações para, segundo ele, realizar uma abordagem “mais precisa”. Ao se pronunciar, o prefeito criticou duramente o que classificou como a politização do caso.
“Nunca foi pelo Orelha. Foi pela lacração da rede social”, afirmou.
Críticas ao delegado-geral da Polícia Civil
No vídeo, João Rodrigues fez referência direta ao delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, acusando-o de transformar o episódio em uma discussão pública entre lados diferentes, com ampla repercussão na mídia.
“Chega ao ponto de dizer que defensores da causa animal cobram investigação porque Santa Catarina é um estado de direita. Que idiotice é essa?”, declarou Rodrigues.
Gestos públicos e adoção do cão Caramelo
O prefeito de Chapecó também criticou ações públicas realizadas após a morte do cão Orelha que, segundo ele, teriam sido usadas para demonstrar empatia nas redes sociais, mas sem contribuir para o esclarecimento dos fatos.
Entre os exemplos citados por Rodrigues está a adoção do cão Caramelo — outro animal envolvido nos episódios de maus-tratos relacionados ao caso — que foi adotado pelo delegado-geral Ulisses Gabriel em meio à repercussão da morte de Orelha.
No discurso, João Rodrigues sugere que gestos desse tipo fariam parte de uma estratégia de exposição pública e “lacração” nas redes sociais, desviando o foco da principal questão: a responsabilização pela morte do animal.
“Isso se chama antecipação de informação para lacrar na rede social e demonstrar uma empatia que não é verdade”, afirmou.
Contradições e questionamentos sobre a investigação
Rodrigues também apontou o que considera contradições na condução do inquérito, citando divergências entre declarações de autoridades policiais, especialmente sobre a possibilidade de o cão ter sido submetido à eutanásia.
Segundo o prefeito, a delegada responsável pela investigação teria confirmado a eutanásia, enquanto o delegado-geral posteriormente negou essa informação.
“Quantas contradições, quantas condenações. A pergunta principal é: quem matou o cãozinho Orelha?”, questionou.
Críticas ao governador e possível acesso a informações sigilosas
O prefeito ainda classificou como “ainda mais grave” uma publicação feita pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), questionando o teor das informações divulgadas antes da conclusão do inquérito, que corre sob sigilo.
Conforme Rodrigues, o governador afirmou que o conteúdo das investigações seria “de embrulhar o estômago”, o que levantaria dúvidas sobre possível acesso antecipado ou informações privilegiadas.
“Se é sigiloso, como o senhor teve acesso? E o que exatamente está lá que embrulha o estômago? A sociedade quer saber, porque é pelo Orelha, não é pela lacração da rede social”, questionou.
Divulgação de imagens, boicotes e condenações antecipadas
Outro ponto levantado por João Rodrigues foi a divulgação de imagens de um adolescente circulando nas proximidades do local, o que, segundo ele, contribuiu para condenações públicas precipitadas antes da conclusão oficial da investigação.
Posteriormente, a própria Polícia Civil teria informado que aquele momento registrado não correspondia ao horário da morte do animal. O prefeito também criticou boicotes direcionados a estabelecimentos comerciais, citando o caso de um hotel que, conforme ele, não teria qualquer ligação com os investigados.
“Vocês percebem quantas contradições? Quantas condenações antecipadas? Se fosse um jovem pobre, filho de operário ou de pescador, já estaria preso”, afirmou.
Defesa da federalização do caso
Ao final da gravação, João Rodrigues defendeu a federalização da investigação, afirmando que a medida seria necessária para garantir imparcialidade e esclarecer definitivamente os fatos.
“A pior coisa que existe é a injustiça. A sociedade precisa saber quem matou o Orelha”, concluiu.






