Tiago Adriano da Costa foi exonerado do cargo de secretário-adjunto de Esportes de Forquilhinha cerca de 40 dias após vir à tona o caso envolvendo o prefeito José Cláudio Gonçalves, o Neguinho (PSD), a então primeira-dama e responsável pela gestão da Saúde do município, Cléu Cavassini, e uma jovem, em um episódio ocorrido em um motel de Criciúma.
Na ocasião relatada pela jovem à Polícia Civil (PC), o servidor foi apontado como o motorista que acompanhava Cléu. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a jovem seria a suposta amante do prefeito.
A exoneração de Tiago foi publicada no Diário Oficial na última sexta-feira (24.jul). Ele integrava a administração municipal desde 2021, quando foi nomeado para o cargo de chefe da Divisão do Horto Florestal. Em 12 de julho de 2024, foi nomeado para outro cargo comissionado e, atualmente, exercia a função de secretário-adjunto de Esportes.
Prefeito nega relação entre exoneração e caso
Em contato com o Canal Criciúma nesta segunda-feira (27), o prefeito José Cláudio Gonçalves, o Neguinho, negou que a exoneração tenha qualquer relação com o episódio ocorrido no motel e afirmou que a decisão foi motivada por questões administrativas.
Bastidores do governo
Nos bastidores da administração municipal, no entanto, a versão é diferente da apresentada oficialmente. Conforme apurado pelo Canal Criciúma com pessoas ligadas ao governo, a permanência de Tiago no cargo teria se tornado insustentável após ele acompanhar Cléu até o motel no caso que ganhou repercussão na cidade.
Ainda segundo as fontes ouvidas pela reportagem, Tiago era considerado um dos principais aliados da ex-primeira-dama, atuando como seu motorista e sendo visto internamente como um dos “braços direitos” de Cléu dentro do governo.
As mesmas fontes afirmam que, após a divulgação do caso, a relação entre Neguinho e Cléu teria se desgastado significativamente. Conforme apurado, os dois não estariam mais morando na mesma residência e o prefeito estaria buscando afastar pessoas diretamente ligadas à [ex]esposa. Nesse contexto, a exoneração de Tiago seria interpretada internamente como uma forma de pressionar Cléu.
Relembre o caso
Conforme divulgado anteriormente pelo Canal Criciúma, uma jovem compareceu à delegacia acompanhada de sua advogada para complementar um boletim de ocorrência (BO) e apresentar uma nova versão sobre um episódio ocorrido em um motel. O primeiro BO havia sido registrado pela Polícia Militar (PM) no próprio motel.
Segundo o relato apresentado à Polícia Civil (PC), após os fatos, ela estava em um quarto do estabelecimento quando chegaram ao local Cléu Cavassini, dois policiais militares à paisana e um motorista. Ainda conforme a denúncia, eles estariam filmando a situação.
A jovem afirmou que ela e o prefeito Neguinho estavam nus sobre a cama no momento da entrada no quarto. Ela também alegou que foi contida pelos policiais para que pudesse ser agredida por Cléu.
No depoimento, a denunciante ainda afirmou estar sendo ameaçada com a divulgação das imagens gravadas no local. Segundo a versão apresentada à polícia, teria sido exigido o pagamento de R$ 300 mil para impedir a publicação do vídeo.
Além disso, ela relatou que, após as agressões, Cléu teria retirado R$ 5 mil do interior de seu veículo.
Na época da publicação da primeira reportagem, o Canal Criciúma entrou em contato com Neguinho, que negou os fatos.
A reportagem também procurou Cléu Cavassini na época da denúncia, mas não obteve retorno. Até o momento, Tiago Adriano da Costa também não se manifestou sobre a exoneração.




